27 Março 2014
Brasília: conferência de Guilherme Wisnik
1957-1980: Arquitetura e artes em confronto
Após as conferências Painel, em 2012, e Mies Dada, em 2013, é a vez de a Dafne receber um convidado brasileiro. Guilherme Wisnik vem de São Paulo ao Porto para nos dar a conhecer os processos, nem sempre pacíficos, através dos quais a música e as artes plásticas se envolveram na construção de significados para a arquitectura moderna.
CONFERÊNCIA NO CINEMA PASSOS MANUEL
27 DE MARÇO DE 2014, QUINTA-FEIRA, PELAS 21H30
Projectada em 1957, Brasília foi inaugurada três anos depois, coroando a bem-sucedida «formação» da arquitectura moderna brasileira e o optimismo desenvolvimentista do governo de Juscelino Kubitschek, ao som da Sinfonia da Alvorada, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Dez anos depois, a nova capital – tomada em 1964 como a sede do poder militar no país – reaparecia como o cenário monstruoso da canção Tropicália, de Caetano Veloso, hino do movimento de contracultura. «Bossa» era igualada a «palhoça», e Brasília, signo progressista do futuro, passava a soar como reencarnação dos arcaísmos nacionais, monumento aberrante plantado no planalto central do país, com edifícios sem porta. A idealização do progresso estava sob o ataque das artes, em obras como «Brasil diarreia», de Hélio Oiticica, ou a carnavalização antropofágica de Zé Celso Martinez Corrêa. Em 1980, no filme A Idade da Terra, Brasília foi o cenário escolhido por Glauber Rocha para filmar a vida de Cristo no Terceiro Mundo, em tom sebastianista, escancarando a face épica e contraditória desse grande símbolo. As artes unidas contra a arquitectura? Qual a resposta da arquitectura brasileira contra esse golpe mortal?
APRESENTAÇÃO POR MARIA MANUEL OLIVEIRA
Guilherme Wisnik é arquitecto pela Universidade de São Paulo (FAU-USP), onde ensina História da Arte e da Arquitectura. É autor de monografias sobre Lucio Costa (Cosac Naify, 2001) e Caetano Veloso (Publifolha, 2005). A sua tese de doutoramento explora as relações entre arte e arquitectura contemporânea (Dentro do Nevoeiro, 2012). Actua como crítico e curador, tendo sido curador-geral da Bienal de Arquitetura de São Paulo em 2013, Cidade: Modos de Fazer, Modos de Usar.
Organização: Dafne Editora Apoio financeiro: Direcção-Geral das Artes (DGArtes) – Secretaria de Estado da Cultura Apoio institucional: Ordem dos Arquitectos, Secção Regional Norte Apoio à divulgação: Estratégia Urbana Apoios: Passos Manuel, Casa do Conto