25 Outubro 2012
A Paisagem & Crítica de Arquitectura em Portugal
Duas conferências em São Paulo: Escola da Cidade
A Dafne é uma editora de vão-de-escada, como alguém disse dos arquitectos do Porto, que tem ensaiado a publicação de livros de arquitectura sob a forma de escrita reflexiva. Até agora com distribuição exclusiva em Portugal, estas duas conferências serão a primeira oportunidade de apresentar o seu trabalho ao público brasileiro.
25 de Outubro: André Tavares
A Anatomia do Livro de Arquitectura
Seguido de debate com José Lira
Escola da Cidade, 14h30-17h30
Procuramos demonstrar uma hipótese: a capacidade de o livro ser o articulador ideal entre a concepção intelectual da arquitectura, por natureza inatingível, e a expressão cultural dessas ideias, por natureza ambígua. Essa dimensão articuladora ganha sentido nas práticas de construção do livro, nos processos de selecção editorial, montagem, escrita e organização de conteúdos. E esse processo não é totalmente independente dos mecanismos de organização do projecto e da obra que lhe estão subjacentes. Esses procedimentos revelam, cruzando uma multiplicidade de campos de trabalho específicos (imagem, linguagem, desenho, crítica, etc.), opções cruciais na construção de sentido do discurso arquitectónico. Através desse percurso indirecto, mas revelador, serão visitadas algumas obras e livros que as precederam, acompanharam ou revelaram a posteriori, dissecando as condições técnicas do seu fazer e relacionando as práticas editoriais com os argumentos que fizeram emergir na cultura arquitectónica.
31 de Outubro: Álvaro Domingues
A paisagem era verde, veio uma cabra e comeu-a!
Seguido de debate com Guilherme Wisnik
Aliança Francesa, 18h00-20h00
Em Portugal, depois de uma política de gestão de paisagem que foi quase inexistente até à década de 1980, os especialistas denunciam, hoje, uma gestão demasiado burocrática e pouco transparente. A urbanização processa-se a um ritmo alucinante, o mundo urbano invade as áreas rurais graças às infra-estruturas que asseguram a acessibilidade do território, e as estradas que atravessam as aglomerações são a imagem perfeita de um fluxo descontrolado e em perpétua reconstrução. Os livros A Rua da Estrada e Vida no Campo lançam um olhar sobre a difícil tarefa, ou impossível, de encontrar continuidades entre as memórias mais ou menos ficcionadas do passado e o que lhes está a acontecer. É difícil entender a simultaneidade e a contradição dos acontecimentos e o modo como se sucedem. É difícil, sobretudo, controlar as emoções acerca do que acontece. Estamos a um passo de uma crise total de sentido. Esta conjuntura produz-se numa hiper-abundância de imagens, e elas organizam-se em múltiplas narrativas. Serão listas infinitas de imagens, sensações e emoções, isto é, uma vida que tende a conter uma infinidade de coisas e relações entre coisas.
Organização: Dafne Editora Parceria: Escola da Cidade Apoio financeiro: Direcção-Geral das Artes (DGArtes) – Secretaria de Estado da Cultura Apoios: Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto